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Croniquinha

A crônica abaixo foi escrita no comecinho do horário de verão, no ano passado.  Continua válida para os próximos verões, a julgar pela cara do país.



Escrito por carlos bruni às 22h10
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CARTA A JORGE BENJOR

  

 

Meu prezado Jorge

 

Você sabe que não gosto de escrever cartas (aliás, nem sei escrever coisa nenhuma que preste), mas não posso deixar de lhe dirigir estas mal traçadas linhas.

Não quero encher muita lingüiça, mas como deixar de mencionar um fato ocorrido comigo logo cedo, nesta ensolarada segunda-feira?

Fui a uma agência dos Correios, aqui perto de casa e após despachar as cartas, entreguei uma nota de 10 para a atendente que, com um sorriso estupidificado me perguntou se poderia dar o troco em selos (coisinha de setenta centavos), pois o cofre ainda estava fechado, já que havia se iniciado o horário de verão e o timmer que permitiria sua abertura ainda não havia sido acertado.

Como não passava das nove e quinze, meus mascotes preferidos, tico e teco, ainda estavam dormindo, e por isso não atinei com o fato de os acertos do mecanismo não terem sido feitos antes e não depois da implantação de tão salutar medida que é esse tal horário de verão.

À revelia de meus dois amiguinhos, concluí que tal medida havia sido introduzida de supetão e todos fomos pegos de surpresa.

Imagino que outros acontecimentos ocorreram por todo o nosso país tropical, levando-me, inclusive, a divagar sobre hipotéticos fatos que poderiam mudar a História, mas que não aconteceriam devido ao horário de verão ser esfregado na nossa cara, assim sem mais nem menos.

Você já pensou, meu prezado Jorge, se um terrorista da Al Qaeda resolvesse explodir uma bomba-relógio no Congresso Nacional, logo numa (acho que já disse isto) ensolarada segunda-feira?  Ou ele a explodiria com uma hora de atraso em relação a seus planos, ou explodiria junto por não saber a hora oficial.   De qualquer maneira, os prejuízos seriam só materiais, pois acertar alguém trabalhando naquela proba Casa logo numa segundona de manhã?  Fala sério, meu irmão!

Escrito por carlos bruni às 22h06
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Também me ocorreu a possibilidade de o Ricardão passar logo cedo na casa da amásia para dar uma rapidinha e dar de cara com o maridão saindo para o trabalho, defasado porque também fora pego de calças curtas (refiro-me ao horário, é claro).

Não temos programa espacial que preste, ou iríamos ter uma bruta confusão entre o controle de vôo e a cabine da cápsula espacial:

  Catso!   Já são nove e dez;  esta merda vai subir ou não?

  Cala a boca, palhaço!   Já temos todos os carimbos, mas antes das dez não sobe porcaria nenhuma.

Pois é, meu amigo.   Não entendo até agora como você não deu  àquela musica  o nome de País surreal. 

Manda um abraço pra Teresa, pras crianças e vê se aparece prumas cervejinhas.

 

Um abraço  do sempre amigo

Carlos

 

 

 

 

 

 

 

 

 



Escrito por carlos bruni às 22h05
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