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O QUE MUDARÁ?
Dentro de poucos dias, teremos a visita de Sua Santidade, o Papa Bento XVI. Como lider espiritual de milhões de pessoas e chefe de Estado reconhecido pelo governo brasileiro, ele será recebido com honras e respeito que lhe são devidos.
Até aí, morreu Neves. As circunstâncias é que devem ser analisadas.
O Papa Ratzinger, em São Paulo, ficará hospedado no Mosteiro de São Bento, situado no largo do mesmo nome. Quem conhece, como eu, o local fica imaginando como seria a visita se as autoridades paulistanas descurassem de maquiar aquele lugar. Ao lado da igreja fica a rua Florêncio de Abreu e, mais exatamente na esquina da praça, o que se vê é o que há de mais degradante numa sociedade. O cenário, talvez seja exagero meu, nos remete a algum lugar da periferia de Bombaim ou Calcutá; são párias de todos os tipos: mendigos na calçada, um horrível cheiro de urina e fezes (já que é ali que eles passam a noite), são camelôs às dúzias (muitos vendendo ferramentas que as lojas da mesma rua vendem - jogos de chaves, furadeiras, lixadeiras, etc), sem pagar impostos - aliás, não são poucos os ambulantes que expõem na rua mercadorias das próprias lojas, fugindo ao pagamento de impostos. O cenário não termina aí: são consumidores de crack, bêbados, enfim, todos vivendo sob este céu que um dia há de nos engolir.
O Papa irá também à Catedral de São Paulo. Uma autoridade já declarou que nesse dia os mendigos, desocupados e assemelhados, serão retirados dali e a praça da Sé, lavada, o que deverá ser feito também no largo de São Bento.
Muito bem. Agora, a pergunta que não quer calar: e depois que o representante de Deus for embora o que mudará?
Nada. A vida voltará a ser a mesma, o lumpesinato retomará seu espaço, nós nos calaremos e fingiremos que não temos nada a ver com isso.
E, na falta de coisa melhor, que Deus nos abençoe. Ou perdoe, se merecermos.
Escrito por carlos bruni às 22h58
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